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Desenhar: mais do que dom, é preciso (muita) prática

Desenhar: mais do que dom, é preciso (muita) prática

“Que lindo o seu desenho! Queria ter nascido com esse dom.” Para quem gosta de desenhar (e consegue fazer alguns rabiscos bonitos), essa é umas das frases que mais se ouve de transeuntes curiosos. E, para começar essa conversa, vamos entender uma coisa: desenhar não é um dom, é puro treino recheado de perseverança e calos nos dedos.

Quando era pequeno, meu primeiro contato com um desenho autoral foi utilizando de uma folha de papel sulfite e uma caneta esferográfica, fazendo alguns bonequinhos de palito com linhas tremidas. Achei o máximo.

A ideia de poder criar meu próprio mundo através de materiais de tão fácil acesso me encantou e senti a necessidade de continuar a passar minhas ideias para o papel, de tornar real aquilo que existia apenas na minha cabeça. Continuei, por um tempo, a desenhar meus bonequinhos de palito, cada um em seu mundinho fazendo as mais diversas atividades, até o momento que esses traços tão simples já não me agradavam mais: precisava tornar isso mais real.

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Não tinha noção alguma de proporção, profundidade, ou mesmo de anatomia para começar a fazer meus próprios desenhos, então comecei a copiar os desenhos que achava nas revistas de anime e mangá do meu irmão mais velho.

Não eram verdadeiras obras de arte, ou mesmo um retrato fiel dos traços que via nas revistas, mas, mesmo assim, continuei achando o máximo. Não tinha condições de fazer aulas de desenho, então, comecei por uma coleção de revistas pra usar de referência (ou fazer cópias) para meus desenhos. Revistas que ensinavam a desenhar se tornaram meus tesouros. E, a cada dia que passava, desenhava mais e mais.

Meus ídolos pareciam inalcançáveis e pensava que nunca ia desenhar de forma tão perfeita como eles conseguiam fazer. O autojulgamento e a sensação de impotência cresciam cada vez mais, mas eu gostava do que fazia e não podia desistir. Precisava alcançá-los.

 

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E continuo correndo atrás disso. A ideia de nascer sabendo fazer algo não faz muito sentido. Tudo que sabemos fazer hoje foi devido a um grande tempo investido nisso. Você nasceu sabendo cozinhar? Não. Você nasceu sabendo dançar? Não. Você nasceu sabendo andar de bicicleta? Acredito que também não.

Não somos como os demais animais que sabem como fazer as coisas por instinto. Tudo que sabemos é porque vimos isso acontecer em algum lugar e absorvemos para nós mesmos; porque resolvemos ir atrás disso e investimos nosso tempo para alcançar a habilidade de realizar esse algo.

Todo mundo pode desenhar? Sim. Quer aprender a desenhar? Treine. Invista seu tempo desenhando um pouco a cada dia, copie os traços dos desenhistas que você admira, seja criativo e sonhe com coisas novas a cada dia. Treine. Cansou de treinar? Treine mais ainda. Todo mundo pode desenhar.

Geovanni Batistella

Menino índio, desenhista, que está quase se formando em Design. Sonha ser ilustrador de livros infantis e comer todos os pudins do mundo.

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